Eu queria fazer uma viagem e conheci algumas pessoas que desejavam ir para os mesmos lugares que eu. Uns eram amigos próximos e outros nem tanto.
Para viajar precisávamos de transporte, então conseguimos um
ônibus. Eu não queria dirigir, mas tive que dirigir o ônibus.
Na viagem o ônibus não estava cheio, mas tinha uma
quantidade razoável de pessoas. Havia alguns lugares vazios.
Dentro do ônibus havia pessoas serenas e pessoas agitadas.
Muitos estavam ansiosos para chegar logo a algum lugar, e reclamavam.
No caminho chegamos a uma cidade, grande, como São Paulo.
Mas ela estava vazia e destruída.
Nos sentimos perseguidos na cidade, mas o perseguidor não se
mostrava, nem nos alcançava. Então renunciei ao medo do perseguidor e seguimos.
Durante a viagem o Senhor me guiava, até que numa certa
altura do caminho chegamos a um viaduto.
Era uma ponte onde todos que estavam seguindo pelo caminho
tinham que passar.
Mas a ponte estava com trânsito muito lento por causa do
grande volume de veículos que seguiam naquela direção.
Então, depois de um bom tempo aguardando no trânsito, já
sobre a ponte, vi uma saída a direita.
Essa saída partia da direita sobre a ponte, passava por
baixo da ponte e seguia para o lado esquerdo até desaparecer na mata.
Nesse momento lembrei da reclamação dos passageiros, do
perseguidor e de toda a dificuldade que passamos até ali.
Então pensei: “vou por
essa saída, mesmo que o caminho seja mais longo chegarei mais rápido. Afinal,
sei me virar muito bem”.
Então entrei nessa saída, mas não se passaram 200m, surgiu
um grande buraco no chão que engoliu o ônibus. Caímos e batemos no fundo do
buraco.
Quando caímos, um grande desespero tomou conta de mim. Eu
queria voltar ao caminho certo o mais rápido possível com todos.
A princípio uns permaneceram no ônibus e outros avançaram na
escuridão para procurar uma saída. Mas logo todos já estavam zanzando na
escuridão.
Eu dizia a eles: “temos
que voltar para o caminho, muito tempo está passando”.
Eles concordavam de cabeça, mas logo esqueciam e voltavam a
se entreter com as coisas que iam encontrando naquele lugar.
Fiquei tentado a ficar no buraco, mas as coisas que eu
encontrava lá me saciavam apenas durante um instante, depois me sentia infeliz.
Então voltei a chamar a todos para voltar ao caminho.
Mas a esta altura eu nem sabia mais quem estava comigo no
início da viagem, já havia se formado uma multidão no buraco, com lendas e tudo
mais.
Comecei a perguntar quem estava comigo, nem eles sabiam mais
ao certo, mas consegui com muito custo formar um grupo disposto a voltar.
Então reestabelecemos o ônibus e começamos a sair do buraco.
Com muito custo saímos e entramos novamente no caminho. A estrada estava vazia,
tudo estava desértico.
Mas o alívio não veio. Me bateu uma sensação de atraso muito
grande. Foi difícil se manter no caminho e todos os lugares que visitávamos, já
haviam sido visitados.
Aquele grupo se desfez e muito tempo se passou até que
chegássemos aonde deveríamos estar.
Depois, a ponte foi interditada e era impossível atravessar
por ela.
A cidade antes do viaduto ficou deserta e destruída.
Este sonho se repetiu centenas de vezes durantes anos. A
cada repetição um ponto de vista diferente.
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